
Atendendo
agora no setor de emergência, de segunda a sexta-feira, e, também,
desempenhando funções de gerenciamento no centro cirúrgico, Luciana lembra, com
muito orgulho, de sua trajetória no HGNI. Ela chegou em 1995, como
instrumentadora cirúrgica e auxiliar de enfermagem. Pouco tempo depois, Luciana
se tornou técnica em enfermagem, atuando em praticamente todos os setores da
unidade. Em 2004, iniciou sua graduação em enfermagem, concluindo a formação
quatro anos depois, no Centro Universitário Celso Lisboa. Trabalhou como
enfermeira até 2013, quando surgiu o convite para assumir a Superintendência de
Enfermagem. Dois anos depois, inicia seus estudos em medicina, conciliando o
perfil de gestora ao de estudante.
Foi
um grande desafio. Chorei muitas das vezes, certa de que desistiria. Cansaço,
idade e responsabilidade pesavam. Mas graças à equipe maravilhosa que eu tenho
aqui no HGNI e à minha família, que sempre me amparou, eu consegui me formar em
medicina. Foi difícil, mas venci, conta ela.
Optar pela formação em medicina aconteceu no momento mais difícil da vida
pessoal de Luciana. Mãe solteira na época, ela perdeu seu único filho,
assassinado. Com isso, qualquer tipo de sonho foi interrompido brutalmente.
Seus colegas de trabalho do HGNI a incentivaram a voltar a estudar para tentar
amenizar a dor. Foi aprovada no vestibular e iniciou a graduação em medicina,
em 2015, pela Universidade Nova Iguaçu (UNIG).

Apelidada
carinhosamente como Vovózona pelos colegas de universidade, Luciana também
enfrentou situações complicadas. Sem condições financeiras, ela estudava com
cópias de livros. Isto chamou a atenção do amigo e incentivador Joé Sestello,
hoje diretor geral do HGNI.
Um
dia, o Joé me perguntou como eu fazia para estudar e eu disse que era através
das cópias das páginas de livros, pois não tinha condições de comprar os
livros. Então, ele me presenteou com meu primeiro livro, e me pediu para
estudar nele. Joé sempre me incentivou a seguir em frente. Tenho um carinho
enorme por ele e por toda a equipe do HGNI, diz emocionada.
O caminho dos estudos não vai parar para Luciana. Ela quer fazer duas
especializações médicas, sendo a primeira em cuidados paliativos. Tem interesse
também pela psiquiatria.
Escolhi
me candidatar para cuidados paliativos porque, se nós juramos salvar vida e
cuidar de vidas, temos que ajudar a quem, ao longo da vida, adquiriu alguma
doença que a afasta da sociedade e do convívio da família, como o HIV, câncer e
outras patologias. Quero cuidar e dar dignidade, apreço e carinho ao paciente e
seu familiar,
explica ela. Já a psiquiatria me ocorreu durante um estágio, ao abordar um
paciente que tinha aproximadamente 20 anos que pedia socorro. Isto me chamou a
atenção. Após a pandemia, quero poder cuidar dos casos que surgirem.
Entre dificuldades, superações e apoio de todos ao redor, a médica tem grandes
planos para a carreira, mas sem jamais se esquecer de suas origens, quando
morava em Nova Iguaçu, em uma comunidade que hoje faz parte de Mesquita, e
guarda com muito amor a enfermagem.
A
enfermagem me proporcionou ser médica. Está dentro do meu coração. Graças a ela
que eu posso me imaginar sendo uma médica ativa, e, se Deus quiser, praticando
o amor, a confiança ao próximo e fazer o bem sem olhar a quem. Este é o meu
mais sincero desejo,
concluiu sua história pessoal e profissional, Luciana de Carvalho.
(Fotos:
Renato Fonseca / PMNI)




