Lula
indicou Marcio Pochmann para dirigir o IBGE, um economista, pesquisador, que
tem vasta experiência à frente de importantes instituições, como o IPEA, que
dirigiu entre 2007 e 2012. Formou-se em Ciências Econômicas pela Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e é doutor pela Universidade de Campinas
(Unicamp), onde também leciona. Não resta dúvida de sua capacidade técnica e
currículo condizente com o cargo a ser ocupado, diferentemente do que acontecia
em um passado não tão distante, onde ministros e pessoas indicadas para cargos
menores, mentiam descaradamente em seus currículos, além de demostrarem total
inaptidão para os cargos indicados. Mas, então, por que seu nome causou tanto
barulho na imprensa e revolta de alguns?
Uma
campanha foi iniciada junto ao mercado e à grande mídia sobre como o governo
deve se comportar. Sob a desculpa de manipulação de dados, o nome de Pochmann
foi bombardeado, até pelo festival de hipocrisia da imprensa, que até hoje não
fez uma autocrítica sobre o golpe que ajudaram a dar em um governo
legitimamente eleito. Não fizeram nenhuma análise sobre como ajudaram a eleger
àquele do discurso fascista como uma alternativa, porque esses são os mesmos
que disseram que era uma difícil escolha entre um Professor, e um Deputado com
mandatos medíocres e um discurso de ódio.
Lula
vem dando uma aula à parte. Quando o mercado pressionou em relação a Haddad ele
bancou, e temos visto dar certo, fazendo inclusive o nome dele ser citado por
esse mesmo mercado como um aliado para uma boa gestão da política econômica.
Lula se concentrou na Reforma Tributária, articulou e levou a uma votação
histórica, conversando com governadores e não aliados; isolou seus adversários
diretos, que preferiram ficar contra uma pauta histórica. Agora, após recesso,
deveremos ver o PP e o Republicanos entrando no governo, e uma Minirreforma
ministerial a caminho. Assim Lula amplia sua base, e abre espaço para novas
votações importantes no Congresso, e a pauta pode ser a favor do Governo.

Algumas
críticas à indicação de Pochmann é a de que ele comprometeria os dados informados do
IBGE, importantes para a análise da economia e execuções de políticas públicas
diárias. Onde estavam esses mesmos quando Bolsonaro indicou ao IBGE uma amiga
da filha de Paulo Guedes, sem nenhum preparo para tal cargo? Onde estavam
esses, alguns desses críticos aliados do governo anterior, quando os dados
sequer existiam, com uma administração que se negava a analisar qualquer número
que fosse contra a realidade?
A
verdade é que a questão em jogo não é em si a crítica ao nome, mas sim a busca
por tentar pautar o Governo e suas indicações. O eleito democraticamente para,
entre muitas coisas, nomear e indicar aqueles que achar necessário foi Lula, e
não pode ser pautado pela vontade nem do mercado e nem da grande mídia, que
trabalha pelos interesses de seus patrocinadores. Até para que isto seja feito,
é necessário muita conversa e articulação.
Essa
questão sobre a luta por pautar o Governo é muito importante ser citada e
analisada dia a dia. Faz parte de todos os governos, alguns mais que outros,
fato, mas vale dar uma olhada nesse ponto com muita calma e inteligência. Por
exemplo, a tentativa de tirar crédito intelectual da indicação, por exemplo,
não pode vir de alguém que preside uma Associação de Letras, e que nunca
escreveu um livro. Precisamos também analisar a crítica, seu conteúdo e quem a
faz, e claro, quais interesses por trás. Outro exemplo foi a tentativa de se
criar um clima bem ruim com a Ministra Simone Tebet. No final, a Ministra deu
uma entrevista, defendeu Lula, explicou porque apoia a indicação e deixou a
repórter falando sozinha e sem credibilidade. Simone, inclusive, saiu maior do
que estava antes da confusão que a colocaram.
Nem
todos os dias situações como essas são resolvidas desse jeito. Nem todo dia
você tem uma Simone Tebet no jogo com inteligência e política o suficiente para
fazer bem seu trabalho. Mas o plano é o caos mesmo. Antes, poderíamos dizer que
era para vender jornal, entre outras coisas, hoje e sempre, é além disto. É
para como vimos no passado vender quem sabe, o país. Enquanto isto, no mundo
que vale, no mundo real, vemos o menor taxa de desemprego desde 2014, 8%. Tem
muito trabalho pela frente, muita água para passar por baixo dessa ponte e
muito país para reconstruir; e muita mentira para desmentir - isso sem falar em
muita tentativa de manipulação para se esquivar.
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