Por
30 dias, o continente europeu vai experimentar uma mostra da riqueza cultural
fluminense. O festival ¡Hola Rio!", que começa nesta sexta-feira (8) e
tem incentivo do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura e Economia
Criativa (Sececrj), será uma ocupação cultural em Madri, capital da Espanha,
com mais de 100 artistas fluminenses realizando apresentações de dança, teatro,
música, cinema e exibições em espaços de arte e vias públicas.
O
projeto investe na pluralidade criativa produzida no estado. A chamada pública
foi lançada em junho, oferecendo premiação total de R$ 3.780.500. Assim, entre
as 30 obras selecionadas - por meio do edital Casa de América (prestigiado
centro de arte da Espanha e parceiro do projeto), da Sececrj há espaço para
variadas formas de expressão, como o balé clássico, grafite, artes plásticas e
visuais, grupos performáticos de rua, entre outras.
A
programação completa, está no site do evento: https://hola.rio.br/#programacao
Assista
o vídeo:
O
Céu do Rio em Madrid
Trabalhando
com grafite há 25 anos e com a criação de telas e objetos há 15, o artista
plástico Toz Viana tem experiência e reconhecimento internacionais. Em seu
atelier, na antiga fábrica da Bhering, em Santo Cristo, vem desenvolvendo
experimentações que pretende trabalhar no " ¡Hola Rio!".

Para
o festival, minha ideia é levar um pouco das influências do grafite e também
das minhas novas intervenções nos espaços públicos. Vou levar o projeto Céus,
já que estou nessa onda dos reflexos, como se o asfalto refletisse o céu. Criei
uma forma de fazer isso no espaço fechado. Confesso estar um pouco ansioso, mas
acredito que vai ficar muito legal. Tô muito feliz com a oportunidade de
representar o Rio de Janeiro e de poder também levar um pedacinho do céu do Rio
para Madrid,
comemora Toz, que é natural de Salvador, mas mora no Rio desde os 14 anos onde
aprendeu e desenvolveu sua arte.
Corpo
de Baile do Theatro Municipal abre o festival
Já
a primeira bailarina do Theatro Municipal, Claudia Mota, destaca a importância desse
tipo de ação para a cultura do Estado e o benefício para os jovens talentos.
Abrindo o festival, Claudia irá se apresentar com mais seis bailarinos do Corpo
de Baile do Theatro Municipal, incluindo o seu marido, o primeiro solista do
corpo do ballet, Edfranc Alves, na Casa de América.

O
mais importante disso tudo é fazer com que as pessoas de fora entendam que a
gente, aqui, tem uma arte enorme. Nós somos exportadores de bailarinos! É
fundamental o mundo saber que aqui existe arte e dança. E nada melhor do que
essa ação levando também jovens talentos, até mesmo de projetos sociais. Fazer
e viver de cultura e dança no nosso país não é fácil, mas esse incentivo nos dá
esperança,
destaca a bailarina.
Projeto
social
Claudia
se refere ao grupo de quatro bailarinas profissionais do projeto social Ballet
Nildo Muniz, de Campo Grande. Um dos selecionados pelo edital, o trabalho
recebeu R$ 225 mil do Governo do Estado e conta que foi o primeiro concurso que
a trupe participou. Todos os vencedores da licitação receberam premiação em
dinheiro, que inclui a verba para os gastos da viagem, como passagem aérea e
hospedagem, além do cachê.

Quando
recebemos a notícia que havíamos sido escolhidas foi uma festa! Na verdade, não
esperávamos, até mesmo porque é a nossa primeira disputa profissional. Mas
demos o nosso sangue para isso. Essa será a primeira viagem internacional de
todas nós. A cultura é muito importante para o nosso país e esse projeto é
essencial, além de estarmos fazendo a conexão com outro continente, comenta uma das
bailarinas do grupo, Luana Aguiar. O grupo se apresenta nos dias 16 e 17 de
setembro.
Performance
ao ar livre debate a violência contra a mulher
Composta
por cinco mulheres, a cia da atriz Allegra Ceccarelli usará a linguagem
corporal para debater a agressão feminina na sociedade com a performance ao ar
livre Eu sou você, que ganhará as vias públicas de Madri nos dias 18 e 21 de
setembro, no Parque del Retiro.

Levaremos
o público a refletir sobre a violência contra a mulher, ao mesmo tempo que
mostraremos a sua beleza e a esperança por dias melhores, de paz e de harmonia
entre o homem e a mãe natureza, a quem pedimos desculpas no final, resume Allegra,
que emprega técnicas da dança balinesa e teatro ritualístico em sua arte.
Uma
das integrantes da cia é a indígena, Lucia Tucuju, de 53 anos de idade, da
etnia Galibi-Marworno (habitantes das savanas e campos alagados do Norte do
Amapá):

Moro
há 24 anos no Rio, onde me tornei atriz, contadora de histórias e escritora.
Levar um pouco da nossa arte do Amapá e do Rio para a Espanha é uma
oportunidade rara de provar que o índio, muitas vezes visto apenas como aquele
que vive no meio do mato, tem capacidade, luz própria e talento, justifica Lucia.
Samba,
Bossa Nova e Funk reinterpretados na flauta e violão
O
concerto de sopro e cordas do Quarteto Geral levará, ao lado da cantora Luiza
Lacerda, um repertório variado com diferentes manifestações presentes no
Estado, como o Batuque, Jongo, Maxixe, Choro, Samba, Bossa Nova, Pagode e Funk.
O espetáculo acontecerá na Nave de Terneras, nos dias 23 e 30 de setembro,

Nosso
grupo começou na faculdade, somos músicos formados no Rio de Janeiro. De alguma
forma, durante esses anos, amadurecemos a nossa linguagem e hoje podemos
oferecer algo que tenha nossa cara. Nesse projeto vamos nos juntar com Luiza
Lacerda, que já tínhamos um trabalho anterior. O edital veio como uma forma de
reviver e repaginar esse show e trazer uma ideia de repertório que sempre
quisemos fazer, que é interpretar os compositores fluminenses que estão se
desenvolvendo junto com a gente, explica o violinista Lucas Cuba Gralato.
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