O Governo do Estado do Rio de Janeiro abriu uma nova frente de negociação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar investimentos considerados estratégicos nas áreas de mobilidade urbana, saúde e segurança pública. Entre as prioridades apresentadas estão a ligação metroviária entre Estácio e Praça XV, a expansão do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) e a aquisição de helicópteros destinados a operações de saúde e segurança.
Os projetos foram discutidos na sexta-feira (21), durante reunião entre o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Também participaram do encontro os secretários estaduais de Fazenda, Guilherme Mercês; da Casa Civil, Flávio Willeman; e de Saúde, Ronaldo Damião.
Além da análise dos novos investimentos, a reunião tratou da renegociação das dívidas do Estado com o BNDES e da possibilidade de retomada do acesso do Rio de Janeiro às linhas de financiamento do banco para projetos de desenvolvimento. O movimento ocorre após os avanços relacionados ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Hospital Pedro Ernesto prevê novo complexo e ampliação de cirurgias
Na área da saúde, um dos projetos de maior porte é a expansão do Hospital Universitário Pedro Ernesto. A proposta prevê a construção de um novo complexo ambulatorial e de um edifício hospitalar integrado à atual estrutura da unidade.
O planejamento inclui um novo centro cirúrgico com 22 salas, preparado para procedimentos de alta complexidade e com capacidade estimada para superar 17 mil cirurgias por ano. Também estão previstos 80 novos leitos de terapia intensiva e outros 60 destinados à internação cirúrgica.
Vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Pedro Ernesto ocupa posição de destaque na rede pública fluminense por reunir assistência médica, ensino, pesquisa e inovação. A unidade atua em áreas como transplantes, cirurgia robótica, saúde digital e pesquisa clínica, além de exercer papel relevante na formação de profissionais de saúde.
Atualmente, o hospital realiza cerca de 3,5 mil atendimentos ambulatoriais por dia, distribuídos por aproximadamente 60 especialidades, e dispõe de cerca de 500 leitos. A expectativa é de que a ampliação da estrutura aumente a capacidade de atendimento e contribua para reduzir o tempo de espera por procedimentos de média e alta complexidade no Sistema Único de Saúde.

Ligação entre Estácio e Praça XV pode ampliar capacidade da Linha 2
Outro eixo considerado prioritário pelo Governo do Estado é a mobilidade urbana. A proposta apresentada ao BNDES prevê financiamento para a construção da ligação entre Estácio e Praça XV, na Linha 2 do metrô.
Segundo o planejamento estadual, a nova conexão permitiria eliminar cruzamentos operacionais atualmente existentes nas regiões da Central e de Botafogo, reduzir intervalos entre os trens e ampliar em até 70% a capacidade operacional da Linha 2.
A intervenção faz parte de um conjunto mais amplo de projetos de expansão da malha metroviária fluminense. Entre as propostas estão também a implantação da Linha 3, ligando Praça XV a Niterói e Guaxindiba, e a extensão da Linha 4 pela Avenida das Américas até o Recreio dos Bandeirantes.
A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana estima que somente a extensão da Linha 4 possa beneficiar cerca de 360 mil passageiros por dia. Por envolverem investimentos de maior porte, esses projetos ainda dependem de estudos técnicos e de etapas preparatórias para futura licitação. A estruturação desses estudos deverá contar com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
A aproximação entre o Governo do Rio e o BNDES ganha relevância em um momento em que a capacidade de investimento dos estados está diretamente ligada à reorganização de suas dívidas e ao acesso a novas fontes de financiamento. Como principal banco público de desenvolvimento do país, o BNDES historicamente participa da estruturação e do financiamento de projetos de infraestrutura de longo prazo. Para o Rio de Janeiro, a eventual retomada dessas operações pode abrir caminho para intervenções de grande escala que, por seu custo e complexidade, dificilmente seriam executadas apenas com recursos correntes do orçamento estadual.




