Segundo dados da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), 0,2% dos pacientes que passam pela cirurgia apresentam algum tipo de complicação pós intervenção, taxa comparável aos riscos de uma cirurgia de retirada da vesícula ou de uma cesariana. A entidade estima que ao ano são realizadas 105 mil operações de redução do estômago, como o procedimento é popularmente conhecido.
Os riscos da cirurgia bariátrica são baixíssimos, mas como qualquer tipo de cirurgia, pode levar em raras situações a complicações. Estamos diante de um cenário que representa dois em cada mil pessoas que passam pelo procedimento, comenta o cirurgião bariátrico Thales Delmondes Galvão.
Ele lembra ainda que os riscos de vida para pessoas com excesso de peso elegível ao procedimento, mas que evita realizá-lo, é muito superior em comparação a uma possível complicação da operação. Uma pessoa com obesidade mórbida possui um risco aumentado de ter complicações sérias de saúde e de morrer, que chega a ser 40 vezes maior se comparado a uma pessoa da mesma idade com peso normal.
O médico ressalta que antes de realizar a cirurgia, o paciente deve passar por uma avaliação médica completa, o que envolve uma equipe multidisciplinar de especialistas, que conjuntamente irão determinar se este indivíduo é elegível para o procedimento. É necessário que o paciente candidato a uma cirurgia bariátrica seja avaliado não só pelo cirurgião especialista, mas também por cardiologista, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e pneumologista, destaca Thales.

Atualmente
um em cada cinco brasileiros é considerado obeso, conforme aponta a pesquisa
mais recente do Ministério da Saúde. O levantamento, realizado em 2017, apontou
que 41,6 milhões de pessoas ou 19,8% da população possui índice de massa
corporal (IMC) acima de 30, o que é considerado obesidade. Destes, um terço (ou
13,6 milhões), possuem IMC acima de 35, o que os coloca na posição de obesos
mórbidos.
Não à toa, o Brasil é o segundo país que mais realiza cirurgias bariátricas.
Ainda assim, a SBCM indica que em 2018 foram realizadas no total 63.969
cirurgias de redução do estômago. Este volume de procedimentos representa
apenas 0,47% da população obesa com IMC acima de 35 e que, portanto, seria
elegível à cirurgia bariátrica e metabólica.
Em partes, Thales acredita que isto ainda se deve à desconfiança da população
em torno da segurança do procedimento e da falta de conhecimento sobre a
relação da intervenção com a melhoria da saúde e da qualidade de vida.
É importante lembrarmos que a obesidade é considerada pela OMS (Organização
Mundial da Saúde) uma epidemia global e merece atenção; é uma doença que não
deve ser ignorada. A cirurgia bariátrica não pode ser confundida com um
procedimento estético, ela é de fato uma ferramenta importante para garantir a
retomada da saúde àqueles que têm indicação clínica para passar por este tipo
intervenção, explica o especialista.
Benefícios da cirurgia
O procedimento é indicado para pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) maior
que 40 ou maior que 35, desde que possuam um conjunto de doenças associadas à
obesidade, como diabetes, hipertensão e dislipidemias (anomalias dos lipídios
no sangue). Além disto, a cirurgia também é recomendada para pacientes com o
IMC maior que 30 com diabetes de difícil controle.
Além da perda de peso, a cirurgia bariátrica auxilia na melhora do quadro
de doenças relacionadas à obesidade entre eles: diabetes, hipertensão arterial,
apneia do sono, dislipidemias, esteatose hepática além da elevação da qualidade
de vida e longevidade, afirma Thales.
Mas o especialista é taxativo: a cirurgia bariátrica estimula a perda de peso,
porém, os ganhos à saúde só serão efetivos se paciente adotar uma mudança de
hábitos que inclua alimentação saudável e prática de exercícios físicos.

Apenas o médico, junto com o paciente, saberá avaliar qual o melhor procedimento para tratar a obesidade e as doenças associadas, como a diabetes, por exemplo, sem oferecer grandes riscos aos pacientes. Essa escolha é baseada em uma avaliação do caso e é individual, dependendo de inúmeras variáveis: quanto peso precisa ser perdido, se a pessoa tem idade avançada e condições gerais de saúde, observando as doenças associadas à obesidade, explica o cirurgião bariátrico.
Abaixo, Thales Delmondes Galvão explica as modalidades de cirurgia utilizadas na redução de estômago:

Bypass
gástrico
É a técnica bariátrica mais praticada no Brasil. De acordo com a Sociedade
Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, corresponde a 75% das cirurgias
realizadas, devido a sua segurança e, principalmente, sua eficácia. O paciente
submetido à cirurgia perde de 35 a 45% do peso inicial.
Neste
procedimento, é feito o grampeamento de parte do estômago, que reduz o espaço
para o alimento, e um desvio do intestino proximal, que promove o aumento de
hormônios que dão saciedade e diminuem a fome. Essa somatória entre menor
ingestão de alimentos e diminuição da absorção é o que leva ao emagrecimento,
além de controlar o diabetes e outras doenças, como a hipertensão arterial.
Gastrectomia Vertical ou Sleeve
A gastrectomia vertical, é um tipo de cirurgia bariátrica realizada geralmente
por videolaparoscopia. Consiste na retirada de parte do estômago, sendo,
portanto, irreversível. É chamada de vertical ou em manga, porque a
retirada ocorre através do grampeamento de boa parte do estômago verticalmente,
deixando um tubo gástrico estreito.
Derivação Biliopancreática
É uma associação entre a Gastrectomia Vertical, com 85% do estômago retirado e
o desvio intestinal. Com esse desvio, o alimento se desloca por um caminho e os
sucos digestivos (bile e suco pancreático) por outro, se encontrando somente a
um metro antes de acabar o intestino delgado, diminuindo a absorção de calorias
e nutrientes. Ao contrário do Bypass, a derivação biliopancreática mantém o
estômago maior e encurta mais o intestino, ocorrendo menos restrição e mais disabsorção
dos nutrientes.
Banda gástrica ajustável
A colocação da banda gástrica é feita com a colocação de uma cinta de silicone,
com formato de anel, em volta da parte superior do estômago, dificultando a
passagem do alimento. Está cinta é ligada a um portal, por um tubo de silicone
que é implantado por baixo da pele, e possibilita o ajuste da banda gástrica a
qualquer momento pelo médico.




