Está provado que a tristeza pode resultar em depressão. Mas, há comportamentos que são típicos de quem está iniciando um processo de depressão sem aparentar tristeza, diz o filósofo, psicanalista e especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu.
Para Abreu não podemos nos enganar pelo disfarce que o nosso inconsciente projeta como mecanismo de defesa. Nosso inconsciente armazena os problemas da vida, pois a emoção causa impacto onde os hormônios com sua produção acentuada ao tipo de emoção entram em conflito com as nossas defesas que tentam conduzir um melhor equilíbrio emocional compensado com a razão.
Abreu diz que nem toda pessoa deprimida é triste e um exemplo disto são os sorrisos amigáveis que escondem uma vontade interna de desaparecimento. Confira os cinco comportamentos que, para ele, podem ocultar o início de uma depressão.

Pensar demais
Os questionamentos do sentido da vida, as conversas profundas consigo mesmo sobre a vida e a morte podem ser pensamentos natos de quem tem uma mente filosófica. Mas, pode ser também pensamentos de uma pessoa em estágio de depressão em busca de uma direção. O autoconhecimento torna-se necessário para identificar se estes pensamentos são naturais ou passaram a acontecer.
Compulsões
Ocupar a mente com muitos afazeres criando muitas atividades pode ser um comportamento de um intelectual que sente prazer em adquirir conhecimento. Mas, pode ser também o mecanismo utilizado pelo depressivo para não pensar na insatisfação interna, ocupando a mente com pensamentos, dedicando-se demais aos passatempos para fugir dos sofrimentos e angústias.
Falta de paciência
Qualquer pessoa pode perder a paciência, mas, se isto for frequente, pode ser um sinal de início de depressão. Nem sempre a depressão se manifesta com tristeza e desânimo podendo ser também mediante à insatisfação contínua.
Alimentação e sono irregular
Dificuldade em padrões regulares para drenar a energia. Sono e alimentação irregulares são uma busca de prazeres e acontecimentos que disfarçam a insatisfação. A ansiedade leva a estes fatores na falta da conclusão do que se quer concluir resultando em uma compulsividade.
Medo do abandono
Dificuldade em manter relações interpessoais sustenta um sorriso disfarçado em que a alegria não condiz com a insatisfação que está internamente. Na realidade, a pessoa se sente pesada e indesejada e o sorriso é a fórmula de manter as pessoas por perto, já que receiam ficar desamparadas quando mais precisam de apoio, mas tem vergonha de dizer e admitir ou não tem plena consciência do que está sofrendo. O mais perigoso na depressão é ter consciência dela quando se torna extremamente prejudicial.
Fabiano de Abreu recentemente concluiu sua especialização em neurociência em Havard, História da Ética e da Moral filosófica na universidade Carlos III de Madrid e neuropsicanálise na Sociedade Brasileira de Psicanálise Clínica. É membro na Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo e dedica parte do seu tempo com pesquisas e estudos para melhor compreender a mente humana e seus comportamentos.




