Por Bruna
Baddini e Daniel Fernandes, da CNN em São Paulo
Após a aprovação do uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos de idade, foi a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil. Ela recebeu o imunizante Coronavac, desenvolvido no país pelo Instituto Butantan, no Hospital das Clínicas de São Paulo, neste domingo (17). Ela mora em Itaquera, na zona Leste da capital paulista, e trabalha no hospital Emílio Ribas, referência no tratamento de Covid-19 no país.
A
enfermeira tem perfil de alto risco para complicações da Covid-19: é obesa,
hipertensa e diabética. Mesmo assim, em maio, quando a pandemia atingia alguns
de seus maiores picos, escolheu trabalhar no Emílio Ribas, mesmo ciente de que
a unidade estaria no epicentro do combate à pandemia. Segundo ela, a vocação
falou mais alto. A profissional atuou como auxiliar de enfermagem durante 26
anos e resolveu fazer faculdade já mais adulta, e conseguiu o diploma de
enfermeira aos 47 anos. Corintiana, Mônica é viúva e mora com o filho Felipe (30),
conta que é minuciosa nos cuidados de higiene e distanciamento no trabalho e
quando chega em casa. Quem cuida do outro tem que ter determinação e não
pode ter medo. É lógico que eu tenho me cuidado muito a pandemia toda. Preciso
estar saudável para poder me dedicar. Quem tem um dom de cuidar do outro sabe
sentir a dor do outro e jamais o abandona, diz.
Heroína
do ano
Mônica
foi a vencedora do prêmio Notáveis CNN em 2020 pela sua luta contra o
novo coronavírus. Ao receber o prêmio, ela se emocionou. Eu não sei nem se
essa palavra, heroína, cabe a mim. Falo por mim, por todos os profissionais de
saúde que ainda estão na linha de frente e àqueles que não estão mais com a
gente, que tentaram fazer um trabalho perfeito e foram arrebatados pela doença,
afirma.
No
país com o maior número de enfermeiros vítimas da Covid-19 em todo o mundo, ela
falou sobre como tem enfrentado a realidade da pandemia. A equipe da premiação acompanhou
Calazans antes de ela saber que receberia o troféu. Desde o início, eu estou
na linha de frente. Eu tenho hipertensão, tenho diabetes e obesidade. Eu não
sei por que eu não tenho medo. Não consigo explicar isso. É uma profissão em
que você não pode ter medo, conta a enfermeira. Você segura a onda e tem
que trabalhar. Você tem que segurar o seu psicológico. Na realidade, você não
pode se abalar com tudo o que está acontecendo. Você tem que ser muito forte,
diz ela, que já perdeu quatro amigos para a Covid-19. Eu me considero
vencedora, porque desde o início eu estou me dando de peito aberto para cuidar
das pessoas. Eu só tenho a agradecer, revela.
Ao
receber o troféu, Calazans dedicou a homenagem a duas colegas de trabalho e ao
filho.