Comunidades
onde mulheres atuam possuem as florestas mais preservadas do mundo, afirma
estudo realizado pela Right and Resouces Initiative (RRI), que reúne 150
organizações no mundo dedicadas a preservação de florestas e aos direitos dos
povos indígenas e comunidades locais. Segundo o levantamento, cerca de 25% de
todo carbono estocado na vegetação do planeta está nesses territórios.
A
Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, de 1992, já destacava,
no princípio 20, que o desempenho das mulheres tem papel fundamental na
proteção do meio ambiente e sua plena participação é imprescindível para
conseguir o desenvolvimento sustentável.
No
mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, é importante mostrar o
engajamento das mulheres na busca pela produção sustentável e preservação
ambiental. Um exemplo é a atuação da economista e CEO do grupo BMV (Brasil Mata
Viva), Maria Tereza Umbelino, que criou uma metodologia considerada modelo de
conservação de florestas.
Nascida
em uma família de produtores rurais em Goiânia (GO), Maria Tereza cursou
economia e se especializou em consultoria financeira e desenvolvimento de
negócios. Após realizar estudos, buscou por metodologias que
contemplassem a preservação das áreas existentes e percebeu que nenhuma
metodologia disponível era capaz de compreender e resolver a situação brasileira
devido às especificidades jurídicas e institucionais do país.
Em 2007, Maria Tereza fundou o Programa Brasil Mata Viva, com a missão de gerar e desenvolver soluções em sustentabilidade para atender a realidade do Brasil e poder ser aplicado em outras partes do mundo.

É um programa inovador e inédito, que permite a remuneração dos produtores rurais e de todos os agentes atuantes na rede colaborativa de proteção às florestas e demais biomas com sua biodiversidade", explica.
Atualmente, o BMV conta com 5.486.842.105,26 m² de
área de vegetação preservada, aproximadamente 768.465 campos de futebol.
A
metodologia criada pelo BMV tem como base o PSA (Pagamentos por Serviços
Ambientais), que gera como produto o Crédito de Floresta. De um lado, o
produtor rural, do outro, empresas que querem contribuir com a preservação
ambiental. Com isso, os dois lados assumem o compromisso de preservação,
gerando os créditos, que são adquiridos por essas empresas ou pessoas.
Acredito
que podemos melhorar nosso modo de interagir com o mundo e como participamos de
seus ciclos e dinâmicas. Não somos capazes de controlar o futuro - nem de
alterar o passado, efetivamente, mas podemos fazer as melhores escolhas no
presente. Nisso, a conservação dos biomas do mundo, entre eles as tropicais
como a Amazônia, é fundamental", afirma Maria Tereza.
Um
estudo desenvolvido pela economista para o Programa das Nações Unidas para
Desenvolvimento (PNUD-ONU), em 2009, sobre a questão ambiental, atrelada com o
endividamento da propriedade rural, comprovou que a conservação da floresta é
um custo que o proprietário rural arca e esta é a causa da pressão econômica
exercida sobre o ambiente natural.

É
preciso olhar para o ambiente saudável, como as florestas e geleiras, como
riquezas potenciais estocadas e como produtor dos bens intangíveis de que
nossas vidas dependem. Nesta ótica, o homem é guardião das riquezas que
protege. Não renuncia a elas, mas trata de outro modo", salienta.