“Bom dia, neném”. Este foi o último post da Kathlen Romeu em seu perfil no Instagram, na manhã da terça-feira, 8 de junho. Quem vê as fotos se depara com uma jovem feliz com a recente descoberta da gravidez, relatando um misto de surpresa, alegria e medo. Kathlen tinha medo dos desafios da maternidade, das coisas que uma mãe de primeira viagem ia descobrir pelo caminho. Mas não deu tempo. Ela foi morta aos 24 anos de idade, com quatro meses de gravidez, em meio a uma ação policial em Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro. Moradores foram às ruas protestar contra a morte da jovem designer de interiores. E na capa de um dos maiores portais de notícias do país era possível ler a manchete “Protesto fecha autoestrada Grajaú-Jacarepaguá”. A morte vinha em detalhe, abaixo. Em outras palavras, Kathlen, uma jovem negra, morreu na contramão atrapalhando o trânsito.
Essa desumanização é ainda corriqueira no jornalismo e nas ações policiais. Nos últimos cinco anos, 15 grávidas foram baleadas no Grande Rio, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. E a combinação inocente-preto-morto-operação policial já passou de todos os limites.
Várias personalidades, especialmente, artísticas publicaram fotos da Kathlen, extraídas de sua conta no Instagram, com textos de revolta, indignação e solidariedade à família e amigos da vítima. A Jornalista da Globo News, Flávia Oliveira, se emocionou ao comentar o assunto, ao vivo, na emissora: “é uma violência gratuita”, disse em meio a lágrimas.
Deputado Eurico Júnior protocola requerimento de informações sobre operação que resultou na morte de gestante
A pedido de representantes da Juventude do Partido Verde do Rio, o deputado Eurico Júnior (PV) apresentou requerimento de informações à Secretaria de Estado de Polícia Militar sobre a morte da Kathlen.
Segundo o deputado Eurico Júnior, é preciso saber as circunstâncias da morte de mais uma jovem e de seu filho, ainda na barriga, para que este episódio não seja mais um número nas estatísticas da violência no Estado do Rio de Janeiro.

Nosso objetivo é saber o que realmente aconteceu com mais uma jovem negra, moradora de comunidade, vítima de bala perdida no Rio de Janeiro”, explica Bruna Caldas, presidente da Juventude do PV.
O requerimento foi encaminhado ao secretário de Polícia Militar Coronel Rogério Figueiredo, por intermédio da Assembleia Legislativa.