Guedes pediu demissão, mas Bolsonaro o convenceu a permanecer no cargo





22/10/2021 22:11 ( Atualizado em 28/10/2021 15:09) | Brasília | Da Redação |

Jornalista do ED: Helio de Carvalho


Em coletiva, nesta sexta-feira, Guedes negou que tenha pedido demissão do governo


De acordo com o premiado repórter Vicente Nunes, em seu blog, no Correio Braziliense, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu demissão do cargo ao presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi feito na quinta-feira (21), durante uma pesada discussão entre o ministro e o presidente. Guedes falou muitos tons acima do normal e disse que não aceitaria as manobras feitas pelo governo, à sua revelia, para furar o teto de gastos a fim de bancar o Auxílio Brasil de R$ 400.

 

Vicente afirma ainda que o pedido de demissão de Guedes foi confirmado por quatro interlocutores ouvidos pelo Blog. Foi feito logo depois de o ministro ser comunicado por quatro auxiliares de que não ficariam no governo diante da farra fiscal para tentar reeleger Bolsonaro.

 

Deixaram o Ministério o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo.

 

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (22) que confia no ministro da Economia, Paulo Guedes. Guedes e Bolsonaro se reuniram na sede do Ministério da Economia à tarde. Após o encontro, Guedes negou que tenha pedido demissão do governo.

 

O Ministro da Economia disse que a decisão de um auxílio de R$ 400 foi tomada após pressão da ala política enquanto ele estava nos Estados Unidos, participando de reunião do Fundo Monetário Internacional.

 

O teto de gastos é uma regra fiscal que limita o crescimento de despesas da União à inflação do ano anterior. Ou seja, na prática, não há aumento real de despesas. Para viabilizar o pagamento do novo Auxílio Brasil de R$ 400, essa fórmula foi alterada na PEC dos Precatórios, aprovada em comissão especial da Câmara dos Deputados.

 

Para se ter uma ideia da desconfiança em relação ao governo, Guedes está com dificuldades para preencher os quatro abertos em sua equipe.