Paula Azzar Mariosa é diretora do programa ' Direto ao Ponto com Augusto Nunes ', uma das principais combinadas do grupo Jovem Pan , e steve à frente da direção dos dois maiores programas de informação da América Latina em canal aberto, tais como: Roda Viva da TV Cultura e Canal Livre da TV Bandeirantes , passado pela editia de inter dos programas: Domingo Espetacular da Rede Record de Televisão , Conexão Repórter do SBT , editoria jornalística de produtoras independentes, c riou a De Olho no Mundo Agência de Notícias, é responsável pela liderança de equipes de jornalistas, gerenciamentos de crises e coordenações de produção de conteúdo, além de fontes, fechamentos, pesquisas de mercado e finalizações. Foi responsável pela concepção, direção, roteiro, edição de texto e finalização de um piloto-documentário sobre o que o mar e rios geram para a economia de um país, ganhador de um Jacaré de Ouro .
Em meio a estreia da TV Jovem Pan News , hoje, dia 27 de outubro, tive a oportunidade de entrevistar com exclusividade, a premiada jornalista e diretora do programa: ' Direto ao Ponto com Augusto Nunes ', Paula Azzar Mariosa . Acesse aqui .
Como foi
o início da sua carreira, os principais desafios que enfrentou, e o que mais te
motiva no jornalismo?
R: Comecei
como estagiária em uma eleição na TV Globo no terceiro ano de jornalismo.
Depois, já formada, fui trabalhar na TV Bandeirantes. Comecei como produtora,
passei a coordenadora de produção e depois diretora do programa Valle Tudo. Era
um programa de quatro horas de duração com mais de duas horas de arte. Um
desafio, a equipe era pequena, mas valente. Todos são meus amigos até hoje.
- Toda a
minha carreira foi voltada para televisão. Escrevi textos para algumas revistas
e jornais, mas muito pouco. Durante minha carreira, trabalhei pouco tempo com o
factual, fui editora de inter no Jornal da Record em 1992. Logo depois decidi
seguir com programas de grandes formatos, passando pelo Hoje em Dia, Domingo
Espetacular (Record) SBT Repórter, Conexão Repórter. Depois fui convidada para
dirigir o Roda Viva, na TV Cultura e o Canal Livre, na TV Bandeirantes. Em
2003, ganhei um Jacaré de Ouro como melhor reportagem em um piloto do programa
Planeta Água, que era sobre o que mares e rios geram para a economia de um
país.
- Em produtoras
independentes, trabalhei com o Lemos Britto, TV1 e a De Olho no Mundo, uma
agência de notícias que estou no comando até hoje.
- Minha avó, mãe de
meu pai, era jornalista. Foi corresponde na Suíça em uma época bem complicada
para mulheres nesta profissão. Apesar de eu quase não ter tido contato com ela,
que faleceu quando eu tinha quatro anos, aos doze eu já dizia que queria ser
jornalista.
Qual o conselho que você
dá a todas e todos que desejam ter uma carreira de sucesso no jornalismo?
R: Se
atenham aos fatos. Sua opinião, definitivamente, não é notícia. Se acha que vai
entrar em uma redação e escrever somente o que gosta, troque de profissão. Não
que você não consiga conquistar uma editoria que tenha mais a sua cara, mas é
um caminho longo. Não se martirize por isso. Para chegar aonde queremos temos
que enfrentar muitos aprendizados. Só vai perceber o quanto isso conta, o quanto
é importante, quando estiver à vontade com a editoria que você conquistou. Não
desista nunca.
Como você analisa o
jornalismo brasileiro, no momento atual, e sobretudo na cobertura da COVID – 19?
R: A COVID escancarou muitos cenários e na imprensa não foi diferente. a opinião ganhou mais espaço do que a notícia. O lead se perdeu de vez nos textos tendenciosos e a censura nunca foi tão apoiada pela grande imprensa como agora. Muitas notícias caíram na vala comum e o tom de crítica dominou as redações.
- Vi colegas
apontando o dedo para outros colegas num frenesi incontrolável. Vamos demorar
muito para voltarmos a ter uma imprensa livre. Uma pena. O jornalismo sério se
perdeu. Tem gente que acha que tenho que me posicionar senão não tenho opinião
ou estou em cima do muro. E sempre me pergunto: por que tenho que ter um lado
na notícia, se para mim ela, a notícia, sempre teve dois lados. E nenhum deles,
o meu...
Atualmente você dirige o
programa: ‘Direto ao Ponto’, na Jovem Pan, sob a apresentação de Augusto Nunes.
Quais os principais objetivos do programa e quais as perspectivas para o ano de
2022?
R: Apesar
de o programa ter a fama de ser tendencioso, eu sempre convidei todos os lados,
tanto para entrevista, como bancada. Tenho muitos “nãos” por ideologia dos
convidados. Nunca ditei ou persuadi a bancada para tomar qualquer partido que
fosse. Muito pelo contrário, sempre falo para todos perguntarem o que quiserem,
desde que seja com respeito. Nunca admiti, em nenhum programa que dirigi, que
desrespeitem os entrevistados.
Tivemos recentemente o
episódio do desligamento do jornalista, Alexandre Garcia de uma determinada
emissora, no qual Alexandre era comentarista no quadro: “Liberdade de Opinião’.
O que você análise dessa situação? Estaríamos vivendo uma ditadura?
R: Uma das
piores ditaduras, e o pior, vindo dos próprios colegas. Não só o caso do Alexandre
Garcia, mas temos jornalistas sendo presos e a grande imprensa ignorando.
“Pior
ditadura do que nos anos de chumbo. Uma vergonha”!
Hoje, dia 27/10
haverá a estreia da TV Jovem Pan News. Quais as principais novidades do canal e
qual o diferencial que ele propõe?
R: A Jovem Pan tem muita
história com a notícia. Faz parte da vida cotidiana do país. Acho que vem
mostrar um pouco mais de liberdade com o jornalismo. Nesse um ano e pouco que
trabalho na casa, nunca ninguém me censurou. Muito pelo contrário, a Jovem Pan
tem preocupação com as notícias não se tornarem tendenciosas.
Na sua visão, qual a
importância da Educação em meio a dilemas tão complexos de desemprego e
miséria?
R: Sem
educação não vamos a lugar nenhum. Isso, para mim, é um fato real. E se fala
tão pouco de educação no país, a não ser para atacar esse ou aquele ministro ou
secretário. Acho que temos que crescer e pararmos com isso. Temos uma
responsabilidade que é de dar informação e não ficar discutindo poder em um
assunto que pode definir o futuro das pessoas.
Quais as suas
considerações finais?
R: Sinto
vergonha às vezes da falta de respeito com a qualidade de notícias que a
imprensa está imprimindo no país e fora dele. Com a falta de respeito, de
apuração, de diálogo, de responsabilidade, de ética.
- Nunca imaginei que um
colega tomasse a decisão de chamar o presidente do país, independente de quem
fosse, de genocida perante o mundo.
- Vamos nos
recompor. Respeitar seu telespectador, ouvinte, leitor. Não subestimar as
pessoas. Sua raiva não pode sobrepor a verdade da notícia...
- Vamos abrir ao
diálogo, ao bom debate, à comunicação. Eu sou uma otimista da notícia, por pior
que ela seja.
João Costa - Instagram: @joaocostaooficial