O
Colégio Porto Seguro em Valinhos, no interior de São Paulo, disse que expulsou
alunos envolvidos em trocas de mensagens de cunho racista, nazista, homofóbico
e misógino em rede social, depois que um advogado e ex-aluno da
instituição enviou uma carta denunciando o caso à agência do governo
da Alemanha responsável por escolas alemãs em outros países.
Em
comunicado enviado à DW Brasil, a escola disse que repudia "toda e
qualquer forma de discriminação e preconceito, os quais afetam diretamente
nossos valores fundamentais".

Nesse
sentido, o colégio aplicou aos alunos envolvidos as sanções disciplinares
cabíveis nos termos do Regimento Escolar, inclusive a penalidade máxima
prevista, que implica seu desligamento imediato desta instituição", diz a nota.
O
caso ocorreu no domingo, após o resultado das eleições, quando um aluno negro
de 15 anos foi adicionado a um grupo no WhatsApp chamado "Fundação Anti
Petismo". No grupo com mais de 30 participantes, os estudantes trocam
mensagens racistas, homofóbicas e de conteúdo nazista, além de compartilhar
imagens e frases de Adolf Hitler e Benito Mussolini.
No
grupo, os alunos defenderam a morte de nordestinos e a "reescravização
do Nordeste" e organizaram uma manifestação golpista contra o
resultado das eleições, programada para ocorrer no colégio no dia seguinte.
Ao
ver uma publicação com a imagem de Hitler e os dizeres "Se ele fez com
judeus, eu faço com petistas", o estudante negro alertou que aquilo
era crime e foi bloqueado. Ele sofreu posteriormente ataques racistas no
Instagram.
Na
carta enviada na quinta-feira (03) à agência alemã, o advogado brasileiro
Frederico Reichel pediu que medidas fossem tomadas rapidamente e ressaltou que
uma escola de alunos de classe alta não poderia privilegiar ainda mais seus
estudantes só para preservar a sua reputação institucional.

Por
isso, peço encarecidamente que a agência exija do colégio uma estratégia clara
para lidar e prevenir tais incidentes", finaliza a carta. Reichel foi aluno
do Colégio Visconde de Porto Seguro de 1990 a 1998.
A
resposta do colégio
Após
a denúncia, o Porto Seguro disse ter feito uma apuração interna do caso e
expressou sua "consternação e indignação com o conteúdo de caráter
racista, antissemita e misógino" das mensagens trocadas pelos alunos
na rede social.
Além
de desligar os estudantes envolvidos no caso, a instituição se comprometeu a
reforçar suas práticas de "conscientização e respeito à diversidade".

Considerando
o atual contexto de intolerância e violência verificado em nossa sociedade, o
qual se reflete nas famílias e grupos de amigos, em vista dos fatos recentes, o
colégio reforçará suas práticas antirracistas, de conscientização e respeito à
diversidade, em todos os campus, abordando o assunto de forma ainda mais
contundente em suas pautas cotidianas, com iniciativas envolvendo a comunidade
escolar, inclusive com apoio de consultoria especializada, para procurar evitar
a reincidência de uma situação gravíssima e inadmissível como essa", diz a nota.
O
colégio expressou ainda "solidariedade e apreço a todos que foram
ofendidos" e disse que continuará prestando o devido acolhimento aos
alunos e famílias.
"Primeira
batalha foi vencida"
A
advogada Thais Cremasco, mãe do aluno de 15 anos vítima de racismo, publicou um
vídeo nas redes sociais ao lado dos filhos em que agradeceu o apoio que
recebeu. Ela disse ainda que a "primeira batalha foi vencida",
mas que a luta continua.
Em
entrevista, ela atribuiu o desligamento dos alunos à pressão exercida sobre o
colégio, que já teria sido omisso em outros casos de racismo dentro da
instituição.

Acredito
que o desligamento aconteceu justamente pelo apoio que eu tive de outras mães
do Brasil inteiro, de outras unidades [do Porto Seguro]. É uma pena que
precise acontecer tudo isso para que uma atitude tão simples, que é punir um crime
de racismo, seja concretizada. Mas como tem um histórico de eles já terem
sofrido racismo outras vezes na escola e nenhuma medida ter sido tomada, eu
acredito que, desta vez, aconteceu isso por conta das pressões", afirma
Cremasco.
O
caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
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