Cinco
jovens surdos de diferentes países, dentre eles a atleta brasileira Mariana de
Mello, se reuniram para compartilhar suas histórias na primeira Cúpula Global
realizada pela Cochlear Foundation. O evento contou com a participação de
diversos defensores da perda auditiva, como a ativista Malala Yousafzai, mais
jovem ganhadora do Prêmio Nobel de todos os tempos; o jornalista Lewis Vaughan
Jones (BBC e CNN); a nadadora e paralímpica Suzanna Hext; Anita Grover, CEO da
AVUK (Auditory Verbal UK), instituição que fornece apoio e terapia para
crianças surdas e suas famílias; e o modelo e designer 3D Qais Khan.
Por
meio de workshops e atividades, os jovens tiveram a oportunidade de
compartilhar os desafios e superações que vivenciaram ao longo da própria
jornada. Selecionados para serem embaixadores da Fundação Cochlear, o encontro
também foi marcado por emoção e fortalecimento da luta envolvendo o acesso à
saúde, como diagnóstico precoce e acompanhamento de qualidade.
Um
dos destaques da programação foi o encontro dos jovens embaixadores com a
ativista Malala Yousafzai. A sessão permitiu que cada participante
compartilhasse sua história pessoalmente à mais nova ganhadora do Prêmio Nobel
da Paz. Empolgada para conhecer uma de suas maiores inspirações, a embaixadora
representante do Brasil, Mariana de Mello, não conteve a emoção com a chegada
de Malala.

Eu
nunca imaginei que eu pudesse vivenciar algo tão grandioso. Quando vi a Malala
meus olhos se encheram de lágrimas. Ela, muito empática, veio até mim e me
abraçou. Todos que estavam presentes se emocionaram com esse gesto", relembra
Mariana. A brasileira ainda preparou um presente para demonstrar a admiração
pela ativista: um livro feito à mão, contanto sobre sua trajetória com fotos e
escritos em inglês.
Para
Mariana, ser embaixadora de um evento como esse foi algo extraordinário e
inesquecível.

Compartilhar
minha história foi uma experiência única. Tive a chance de aprender com outros
embaixadores e conhecer seus valores de vida e como eles enfrentam os desafios
da perda auditiva",
conta ela.
Após
as trocas e reflexões sobre o encontro com Malala, a rede de defesa da audição
CIICA (Cochlear Implant International Community of Action), elaborou uma
Declaração Global sobre a perda auditiva para crianças e jovens. O documento,
que teve sugestões dos embaixadores, é um material baseado nas recomendações do
Relatório Mundial sobre Audição da Organização Mundial da Saúde, que destaca a
urgência da saúde auditiva ser priorizada pelos governos e pela sociedade.
Quem
são os cinco jovens participantes da Cúpula Global?
A
Cochlear Foundation selecionou os cinco jovens para participar do Encontro como
parte de seu programa "Achieve anything". Eles foram escolhidos por
poderem, com suas trajetórias de conquistas pessoais, inspirar outras pessoas
com perda auditiva a realizar seu potencial. Mais de 160 jovens de 35 países
compartilharam suas histórias no programa.
Além
da brasileira Mariana de Mello, jovem nadadora catarinense (ver história dela
abaixo), foram selecionados a médica indiana Mahrukh Zaidi, de 24 anos, que
deseja inspirar outras crianças com perda auditiva a seguir carreiras na medicina;
o estudante norte-americano Theo Valles, 15 anos, que se destaca em várias
atividades escolares e esportivas; Rose Paynl, modelo e fotógrafa de moda
francesa de 22 anos, que tem ajudado a aumentar a conscientização sobre a
surdez ao posar com implantes; e a estudante britânica Ava Pearson, de 15 anos,
que tem protagonizado várias peças de mídia nas quais enfatiza a necessidade de
todas as crianças surdas terem apoio precoce e eficaz.
Uma
brasileira no Encontro Global
Uma
das selecionadas para participar do Encontro Global foi a jovem atleta
catarinense Mariana de Mello. Mariana nasceu prematura, com seis meses, teve
complicações ao nascimento e precisou ficar em uma incubadora por três meses.
A
menina precisou tomar antibióticos para lutar pela vida, apesar do risco para a
audição e visão. Ao deixar o hospital, foi diagnosticada com perda auditiva
profunda aos quatro meses, após realizar um exame chamado BERA. Com um ano de
idade, recebeu o implante cocleare, que permitiu que ela tivesse um desenvolvimento
cognitivo e escolar satisfatório.
Medalhas
de ouro na natação e faculdade de Fonoaudiologia - Hoje, como atleta de
natação, Mariana coleciona medalhas de ouro no torneio paraolímpico brasileiro,
além de medalhas de prata no campeonato olímpico brasileiro. Ela também está
estudando fonoaudiologia e apoia crianças na organização onde trabalha, treina
e estuda, em Joinville (SC). Seu sonho é ajudar crianças que não têm acesso à
terapia de fala, além de participar de campeonatos mundiais de natação. Em agosto
deste ano, a nadadora irá disputar o Campeonato Mundial para Surdos, na
Argentina.

Meu
nascimento já diz muito sobre minha história. Nasci prematura, tive uma série
de complicações, morei na incubadora por três meses e tive a confirmação da
perda auditiva após o teste BERA. Entrei na fila do Sistema Único de Saúde
(SUS) para o implante coclear e, com um ano, consegui fazer a cirurgia", relembra
Mariana.
Importância
do diagnóstico precoce
Após
o implante, ainda bebê, Mariana iniciou o acompanhamento com um fonoaudiólogo.
O diagnóstico precoce, aliado ao acompanhamento médico, permitiu que ela
fizesse todo o período escolar sem a necessidade de um atendimento específico
para acompanhar a turma.
Com
dez anos, ela conheceu a natação por meio da Associação Paralímpica de
Joinville.

O
esporte mudou minha vida. A natação me traz paz. Entrei na expectativa de
conhecer pessoas e experimentar outras vivências. Me senti bem desde o início,
ao compartilhar histórias inspiradoras. A competição veio de maneira espontânea.
Em 2018, conquistei o primeiro ouro, na PARAJASC", conta.
Gratidão
ao mundo aberto pela natação
A brincadeira virou coisa séria. Depois de participar e ganhar duas medalhas de prata no Campeonato Brasileiro de Surdo-Olimpíadas, Mariana percebeu que já era impossível dissociar a natação da sua vida.

O
esporte abre portas para outras coisas boas. Hoje, estou muito orgulhosa da
minha história de vida. Tudo foi caminhando como deveria, aos poucos, com
paciência, leveza e dedicação. Sou muito grata por tudo que a natação me
proporcionou",
diz.
Antes
de se dedicar à natação, Mariana já sonhava em fazer faculdade de
Fonoaudiologia. Atualmente, ela está no 3º período do curso. Seu objetivo é
trabalhar com crianças que não tenham condições para pagar um acompanhamento
adequado para a perda auditiva. "

Reconheço
o quanto o acompanhamento fonoaudiológico que tive impactou positivamente no
meu desenvolvimento. Quero mostrar para muitas crianças e para os seus pais que
os deficientes auditivos podem fazer tudo que desejam. Quero inspirá-los a
correr atrás dos seus sonhos, com autonomia e qualidade de vida".
Outro
desafio aguarda Mariana
Com
um quadro de embaixadora, que registra sua participação na Cúpula Global:
Alcance qualquer coisa (Achieve Anything: Global Summit), Mariana voltou para
Joinville (SC) com sua bagagem repleta de grandes histórias e experiências,
além de uma lição de superação deixada por Malala.

Não
se esqueçam de erguer suas vozes e lutar por seus direitos", enfatizou a
ativista em uma de suas falas no encontro com os jovens embaixadores.
Agora,
repleta de motivação e com mais determinação para realizar seus sonhos, Mariana
retoma seus treinos para o Campeonato Mundial de Natação, que acontece de 13 a
19 de agosto, em Buenos Aires, na Argentina.

Meu
objetivo agora é me concentrar nos treinos e me preparar ao máximo para o
mundial. Estou focada em dar o meu melhor e alcançar meus objetivos", concluiu
Mariana.
Sobre a
Fundação Cochlear
A Cochlear
Foundation é uma organização sem fins lucrativos de saúde auditiva, apoiada
pela Cochlear, que tem como propósito aumentar a conscientização sobre a perda
auditiva e ajudar mais pessoas em todo o mundo a acessar o tratamento auditivo.
Lutam por um mundo onde qualquer pessoa, em qualquer lugar com perda auditiva,
possa viver uma vida cheia de oportunidades.
Para
alcançar este objetivo, a Cochlear Foundation avança na pesquisa em tratamento auditivo,
incentiva o desenvolvimento de habilidades de profissionais de saúde e apoia os
esforços da comunidade em direção à inclusão.
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