À
medida que 2023 se aproxima do seu desfecho, a persistente batalha entre a informação
e a desinformação em torno do governo Lula continua a moldar a complexidade do
debate nacional. A dificuldade em enfrentar a polarização que se enraizou na
nação é exacerbada pela inundação de notícias falsas que assolou as redes
sociais, aplicativos de mensagens e até mesmo veículos de imprensa considerados
respeitáveis.
Para
os leitores e leitoras do ED que buscam uma análise equilibrada, especialmente
no âmbito da política nacional, apresentamos uma avaliação do governo federal,
delineando três falhas e três êxitos notáveis de 2023. Estas observações são
extraídas do comentário do renomado jornalista Ricardo Mello, conhecido como
"Explicador Geral da República" nas redes sociais.
OS
TRÊS MAIORES ACERTOS
Indiscutivelmente,
o primeiro maior acerto de todos foi a política econômica do ministro Fernando
Haddad. Ele se equilibrou bem entre os progressistas e os conservadores,
conquistou os integrantes do mercado financeiro que estavam desconfiados e os
números do Brasil melhoraram acima de todas as expectativas. Para reforçar
estas afirmações, vamos usar como base o boletim Focus, que é do Banco Central
e é considerado uma espécie de oráculo da economia. O boletim Focus errou feio,
fez para este ano a previsão de inflação de 5,23%, mas vai ficar no máximo em
4,75%. Outro vexame foi a previsão do crescimento do PIB que é a soma de todas
as riquezas do país. O Focus previu um crescimento de 0,79% e o ano vai fechar
perto de 3,2% - a diferença aí é de 305%. É por conta disto que o Brasil passou
o Canadá e encostou na França, podendo ultrapassá-la já em 2024. O boletim apontou
que a cotação do dólar ia fechar o ano por volta de R$ 5,27, mas vai fechar
abaixo de R$ 4,90. O IGPM - índice geral de preços médios ao consumidor - o
mesmo índice que reajusta, por exemplo, os aluguéis - tinha previsão de fechar
o ano com uma inflação de 4,54%. Este foi o maior furo do Focus, o IGPM vai
fechar o ano com uma deflação, ou seja, uma redução de preços de 3,46%. Já para
a balança comercial, que é a diferença entre os produtos que a gente importa e
os que a gente exporta, esperava-se que o Brasil fechasse a balança comercial
com saldo positivo, mas, de 58 bilhões de dólares, só que vai fechar o ano com
bem mais do que isto: quase 94 bilhões de dólares. E, por fim, o Brasil termina
o ano menos endividado do que a previsão dos economistas: a dívida prevista
ficaria em 62% do PIB, mas vai ficar perto de 60%.
Resumindo,
o governo terminou o ano devendo menos do que o previsto, crescendo mais do que
o esperado e com os preços mais controlados do que no ano passado. Todos os
principais indicadores econômicos do Brasil estão melhores do que as previsões.
Então, baseado em fatos, não em fakes, não tem como dizer que a economia do
Brasil não esteja indo melhor do que estava indo antes. E isto não é discurso
tendencioso, é um fato comprovado pelos números oficiais.
O
segundo acerto do governo foi na política Internacional. Sim, foram muitas
viagens do Lula para o exterior - 75 dias fora do país -, mas estas viagens foram
necessárias, já que o Brasil tinha virado um pária no mundo, ninguém mais
queria conversa com o governo brasileiro... Isto foi desfeito nessas viagens,
tanto que até quem tinha retirado investimentos do Brasil votou a investir,
como a Noruega e Alemanha, por exemplo, que retomaram o compromisso do Fundo
Amazônia. Fazendo as contas, o governo gastou R$ 35 milhões nessas viagens e
assinou acordos de investimentos de R$ 111 bilhões - que é o dinheiro que vem
lá de fora aqui para o Brasil. Ou seja: essas viagens deram lucro, e não foram
poucos.
O
terceiro acerto do governo Lula, neste ano, foi a volta dos programas sociais. O
governo ressuscitou diversos programas que tinham dado muito certo no passado e
foram extintos ou pelo Temer ou pelo Bolsonaro. Tivemos a volta do Mais Médicos,
do Minha Casa Minha Vida; teve a reconstrução do Farmácia Popular - que estava
praticamente zerado; a retomada do PAC, que é o programa de aceleração do
crescimento - tudo programa que atende basicamente gente pobre, que é quem mais
precisa.
OS
TRÊS PRINCIPAIS ERROS DO GOVERNO EM 2023
O
primeiro deles, a falta de uma marca de governo. Falamos sobre a volta dos
programas sociais, mas também precisamos considerar que nenhum destes programas
é novidade! São programas velhos que foram recauchutados e trazidos de volta. Faltaram
programas novos que deixassem uma marca para a população lembrar, para
referenciar com o governo. Isto também é culpa da Comunicação, que não foi lá
essas coisas. Lula parece não ter percebido ainda que o mundo mudou e que hoje
a opinião das pessoas não se baseia só na verdade. A mentira está muito
enraizada na sociedade e é preciso ter uma política que combata isto com força.
Mas o governo não conseguiu furar a bolha para desfazer as mentiras. Como
resultado, não ficou uma marca, e isto vai fazer muita falta nesse ano.
Outro
erro é a permanência do Ministro das Comunicações, Juscelino Filho. Suspeitas
relacionadas ao Orçamento Secreto e a falta de ação, apesar das evidências,
contradizem a promessa inicial do Presidente Lula de afastar ministros com
problemas, podendo resultar em consequências desfavoráveis.
O
terceiro erro e o mais grave de todos, é o Lula não ter descido do palanque até
hoje. Podem falar o que quiser, mas toda vez que ele faz um discurso e cita o
Bolsonaro, Lula reforça a polarização que ele mesmo disse querer acabar. Esse
comportamento é uma contradição e dá chance para a extrema direita tomar o
debate público - e ela tem conseguido fazer isto, mesmo sem estar no poder. Primeiro,
porque eles dominam as redes para parecer que são maiores do que são, e,
segundo, porque o próprio Lula coloca gasolina na fogueira da polarização cada
vez que ele, em eventos oficiais, perde tempo criticando o governo anterior.
Em
síntese, 2023 revelou avanços notáveis, mas também desafios que demandam
atenção e estratégias hábeis para garantir o progresso contínuo e a
estabilidade no cenário político brasileiro.
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