
Na noite de ontem (13), um
incidente de grande gravidade abalou a Praça dos Três Poderes, em Brasília. Por
volta das 19:30h, um veículo registrado em Santa Catarina explodiu no
estacionamento entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Anexo 4 da Câmara dos
Deputados. Em seguida, o dono do automóvel, identificado como Francisco
Wanderley Luiz, de 59 anos de idade, acionou um segundo explosivo em frente ao
STF, onde veio a óbito. O caso, investigado pela Polícia Federal, desperta
preocupações sobre a segurança dos principais órgãos de poder no Brasil.
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Segundo informações das
polícias de Santa Catarina e do Distrito Federal, Wanderley Luiz era
ex-candidato a vereador pelo Partido Liberal (PL) na cidade de Rio do Sul (SC),
onde obteve 98 votos em 2020.
Antes da explosão fatal, o
homem tentou ingressar no prédio do STF, exibiu artefatos presos ao corpo e
lançou um explosivo sob a marquise do edifício. Ao deitar-se no chão, detonou
um segundo artefato que levava em sua mochila. As áreas foram isoladas imediatamente,
e o esquadrão antibombas realizou varreduras minuciosas no local.
Horas antes do incidente,
Wanderley Luiz havia compartilhado em redes sociais uma série de postagens com
ataques ao STF, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a lideranças do
Congresso. Em uma dessas publicações, insinuava que bombas estariam espalhadas
em locais estratégicos e dava um prazo de 72 horas para a Polícia Federal
“desarmar” os artefatos. Em agosto, ele visitou o plenário do STF e publicou
uma foto do local.
A investigação aponta que o
ex-candidato estava há quatro meses em Brasília, e a família desconhecia seu
paradeiro. Nas redes sociais, Wanderley Luiz frequentemente divulgava teorias
conspiratórias de cunho anticomunista. Com histórico policial, ele já havia
sido preso por contravenção em 2012, passando por um breve período em
prisão-albergue, com condenação extinta em 2014.
Após as explosões, forças de
segurança realizaram buscas na residência do autor, localizada em Ceilândia, no
Distrito Federal. Artefatos suspeitos foram encontrados e detonados no local
pelo Grupo Especializado em Bombas e Explosivos da Polícia Federal. Como
precaução, as Forças Armadas foram acionadas para reforçar a segurança nos
arredores do Palácio do Planalto, enquanto atividades no Congresso foram
suspensas temporariamente.
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O episódio gerou tensão
diplomática, já que, na próxima semana, o Rio de Janeiro sediará a Cúpula de
Líderes do G-20, que contará com a presença de delegações estrangeiras de 55
países. Fontes do Itamaraty expressaram preocupação com a segurança durante o
evento, sobretudo diante do possível impacto de novas ameaças políticas.
A repercussão também se faz
sentir no Congresso, especialmente entre parlamentares que defendem a anistia
aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Integrantes do PL
apontam que o incidente prejudica a tramitação do projeto de anistia, fortalecendo
a percepção de ameaça às instituições democráticas.
Em janeiro de 2023, ataques
golpistas à sede dos Três Poderes marcaram uma tentativa de subversão à ordem
democrática no Brasil. Desde então, episódios de violência política e ameaças
às instituições são investigados com rigor, refletindo as tensões entre setores
da sociedade e as autoridades democráticas.
Foto manchete: Mayara
Souto/CB
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