O presidente Jair Bolsonaro disse, na quarta (5), que vai retirar a multa para quem transportar criança sem cadeirinha e só vai manter a perda de pontos na carteira. Estatísticas à parte, gostaria apenas de refletir sobre os argumentos utilizados pela grande imprensa para marretar o presidente, nesta sua decisão.
Bolsonaro defendeu o afrouxamento das punições para quem não usar a cadeirinha no transporte de crianças, dizendo: “Todo mundo que é pai e mãe é responsável. Continua valendo a infração para pontuação, apenas tirei o dinheiro. Vamos ver se o pessoal vai começar a multar como multa. Ou é apenas a multa pela multa?”.
Convenhamos que o que está sendo proposto é a retirada do valor da multa, não os pontos na CNH, muito menos proibindo que a cadeirinha seja usada, "talquei"?!
O Fantástico exibiu no dia 9, vários argumentos contra a medida, alguns consistentes e outros, sinceramente, que não colaboraram, como, por exemplo, o depoimento dos pais que perderam uma filha, por não utilizar a cadeirinha de segurança e hoje fazem campanha país afora.
Ora, concordo com o presidente ao dizer que a responsabilidade é dos pais! Posições políticas à parte, precisa mesmo de multa para que um pai – por mais imbecil que seja – saiba dos perigos que uma criança corre sem a devida proteção dentro de um veículo em movimento?
Hoje, a falta da cadeirinha é considerada infração gravíssima, com multa de R$ 293 e perda de sete pontos na carteira. É realmente isto que o motorista pai ou mãe precisa para proporcionar a devida segurança a seu filho? Pagar multa??? Outra coisa a se considerar: se o motorista de carro de passeio é multado por este motivo (segurança da criança), por que os motoristas de vans e táxis, não?
Sim, sou favorável ao fim da “indústria de multas” encabeçada por esse departamento que esfola motoristas de todas e inimagináveis formas sem dar o mínimo de retorno. Recentemente estive no local determinado pelo DETRAN-RJ para o tal exame de vista: um lugar sujo, esculhambado, vexaminoso, que realiza o exame em dois minutos. Paga-se por isto cerca de R$ 80.
A Lei Seca não dá conta e motoristas embragados seguem matando pessoas nas calçadas, com seus carros luxuosos e velozes, e saem rindo da delegacia após depoimento.
Pouco (pouquíssimo) se gasta com Campanhas de Educação no Trânsito e a “extorsão” em forma de DUDA continua feroz.
Já que no Brasil não se penaliza legalmente com morte quem mata, seja com arma ou veículo, que ao menos prenda os negligentes e assassinos no trânsito – isto vale mais que qualquer multa. Se é, como disse Bolsonaro, que o que se pretende é reduzir acidentes e não “fabricar” dinheiro.
Voltando a falar daqueles pais que mencionei, que buscam minimizar a dor de sua irreparável perda fazendo campanha pelo uso da cadeirinha, entendo e parabenizo tal atitude. Mas, ao programa global Fantástico, por favor, não misture o que é responsabilidade do motorista com o que o governo propõe – vocês são mais inteligentes do que isto!
Finalizando, de toda sorte, quem perde um filho por não oferecer a ele a devida segurança em seu automóvel (uso da cadeirinha) não deve mesmo pagar multa. Deve ser preso!