A escalada do conflito no Oriente Médio já chegou ao paddock da Fórmula 1. Um teste privado de pneus da Pirelli, marcado para este fim de semana no Bahrein, foi cancelado após um míssil disparado pelo Irã atingir uma base da Marinha dos Estados Unidos nas proximidades de Manama, a cerca de 30 quilômetros do Circuito de Sakhir, onde a atividade seria realizada.
O ensaio era considerado estratégico para o desenvolvimento de compostos de chuva. Mercedes e McLaren haviam disponibilizado carros para dois dias de rodagem, com irrigação artificial do traçado para simular pista molhada e ampliar a coleta de dados. O autódromo, vale lembrar, também recebeu a pré-temporada da categoria na semana anterior.
Além do cancelamento, o agravamento do cenário regional trouxe um problema imediato: a instabilidade no tráfego aéreo. Após ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã e a resposta iraniana com mísseis contra alvos militares norte-americanos em países do Golfo, autoridades locais adotaram restrições e fechamentos temporários de espaço aéreo, afetando hubs de conexão usados em rotas entre Europa e Oceania.
Esse efeito já foi sentido por profissionais a caminho da etapa de abertura do campeonato, em Melbourne. A jornalista brasileira Juliane Cerasoli relatou que um voo que seguiria via Doha precisou retornar ao Reino Unido, em meio às alterações de rota causadas pelas restrições.
Em nota, a Formula One Management informou que acompanha a situação “de perto” e destacou que as próximas corridas serão fora do Oriente Médio (Austrália, China e Japão) enquanto Bahrein e Arábia Saudita estão previstas apenas para abril. No calendário oficial, o GP da Austrália ocorre de 6 a 8 de março, e as etapas de Sakhir e Jedá estão marcadas para 10–12 e 17–19 de abril, respectivamente.
Embora a programação da estreia permaneça mantida, a categoria entra na semana decisiva sob cautela: com janelas de deslocamento apertadas, qualquer novo bloqueio aéreo pode encarecer e atrasar o transporte de equipes e equipamentos; um risco que, desta vez, extrapola a política e se impõe como desafio operacional.
(Imagem: Instagram @f1)
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