O mês de outubro é um mês marcado pela campanha de conscientização e prevenção aos cânceres de mama e cervical, conhecido popularmente como câncer do colo do útero. Durante a campanha e nas redes sociais é muito mais abordado as questões referentes ao câncer de mama, deixando muita das vezes de se falar a respeito do câncer cervical, que gera aproximadamente 530 mil novos casos, por ano, no mundo, e é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres, excetuando-se os casos de pele. Ele é responsável por 265 mil óbitos por ano.
Em 2016, a moradora de Mangueiras, Marilene da Rocha, de 40 anos de idade, passando mal e sentindo fortes dores na região pélvica, buscou a orientação de sua ginecologista, que, ao examiná-la, alegou que parecia haver um tumor de colo do útero, mas só seria possível a confirmação após um diagnóstico profundo. No dia 15 de dezembro, do mesmo ano, Marilene realizou a biopsia e 15 dias depois recebeu o diagnóstico de que estava com câncer.
“No momento eu fiquei muito triste, chorei muito, vi meu mundo desabar“, contou a moradora sobre a descoberta.
Com a família abalada e sem condições financeiras para fazer o tratamento em hospital particular, Marilene passou quatro meses aguardado a autorização do governo para iniciar uma radioterapia, no Hospital Hinja, na cidade de Volta Redonda – RJ. Em 4 de abril de 2017, ela começou a radiografia e em 12 de abril do mesmo ano, deu início aos processos de quimioterapia no Hospital de Vassouras.
Marilene revelou que foram dias tristes para ela e sua família, mas que, em todo momento, teve fé em Deus e o apoio dos mais próximos. Disse que o processo de quimioterapia foi a parte mais difícil do tratamento, pois as veias de seu braço estavam finas e saía com mais de cinco agulhadas, em um só dia.
Um dos maiores problemas recorrentes da quimioterapia é a queda dos cabelos e, em alguns casos, acaba sendo necessário que a paciente raspe a cabeça. No caso da Marilene, não foi necessário; ela teve pouca queda de cabelo – o que ajudou muito em sua autoconfiança durante o tratamento.
Com 25 processos de radioterapia, cinco sessões de quimioterapia e três sessões de braquiterapia, em setembro de 2017, os médicos pediram para que fosse realizado novos exames para checar o estado do câncer. Em agosto de 2018, faltando três dias para o seu aniversário, Marilene foi até o INCA para mostrar os resultados e se consultar. Foi quando o médico afirmou que não havia mais vestígios de câncer algum em seu corpo!
A reação de toda a equipe médica foi de alegria e até hoje quando a paciente vai realizar suas consultas eles relatam sobre a força da paciente.
Uma das batalhas vencidas e mais difícil da vida de Marilene foi conquistada, mas, para sua surpresa e de seus familiares, em abril de 2018, ela sofre um AVC. Os médicos lhe deram apenas três dias de vida e foram os dias mais tristes para família e amigos. A comunidade local se reuniu em ato de oração e suporte à família da jovem, que mesmo internada escutou os médicos dizendo que seu coração estava quase parando – Frase que, misteriosamente, gerou mais força e vontade de viver.
Passaram-se os três dias e Marilene reagia bem ao tratamento e, hoje, está bem e curada.
Com uma história tão sofrida, porém de extraordinária superação, ela busca passar para outras mulheres sua luta pela vida.
“Para àquelas diagnosticadas de câncer, apelo para que continuem lutando, pois o melhor está por vir, não percam a fé. Mesmo na dor, coloquem um sorriso no rosto e mostrem que mais forte que o câncer é o Deus que cuida de nós”, concluiu a vitoriosa moradora de Mangueiras.