Representando
o elemento água e com o corpo pintado, remetendo ao vazamento de petróleo
que atingiu 98 cidades nordestinas, poluindo suas praias nos últimos meses, a
modelo Yasmim Calassara, de 18 anos de idade, diz que é o primeiro projeto de
moda em prol do meio ambiente, que participa, mas sempre se comoveu com causas
ambientais, pois sua criação foi em meio ao Pantanal, e, hoje em dia, a jovem é
engajada no assunto.
“Tenho
uma ligação profunda com o Rio Paraguai; cresci em meio àquele pôr do sol e
natureza abrangente. Também estou envolvida com movimentos ambientais que visam
à proteção da fauna e flora de Mato Grosso. Quando recebi esse convite, nem
cogitei em rejeitá-lo”, disse Yasmim.
A
modelo ainda faz críticas ao que chama de omissão do presidente Jair Bolsonaro
(PSL) e acredita que ele se pronuncia pouco sobre o vazamento de óleo e fala
sobre coisas sem sentido.
“Tanto
o desmatamento da Amazônia quanto uma série de outros desastres ambientais que
têm ocorrido no Brasil, aparentemente, o governo não parece preocupado”,
afirma.
A
fotógrafa Camila Mendes, autora do Projeto Manifesto, apesar de concordar com a
modelo em relação à falta de medidas efetivas e cobranças severas de órgãos
responsáveis, argumenta que o projeto também é uma crítica à Indústria da Moda
e consumo demasiado das pessoas.
“Bolsonaro,
como chefe de Estado, deveria ter uma voz mais ativa e cobrar para que os
responsáveis pelo vazamento sejam punidos e dar apoio para conter esse óleo que
se espalha pelo Nordeste. Esse é meu primeiro projeto com tema ambiental e há
três anos o amadureço. Ele terá como dinâmica alguns elementos da natureza, e o
primeiro cenário (que a modelo Yasmim posou) foi escolhido por ser uma praia
banhada pela Baía de Guanabara, que, apesar de ser uma paisagem incrível,
infelizmente é poluída. O cenário com as plataformas que são utilizadas na
extração de petróleo e estão ali estacionadas à espera de manutenção foi
perfeito para que o público possa refletir ao vê-las”, explica.
A
fotógrafa ainda relata que trabalha com moda há três anos e, para ela, é
inegável a discussão de que as pessoas precisam entender o sistema em que a
indústria petroleira funciona, e que a moda está totalmente associada a ela.
“É
a partir de nossas ações, assim como a questão do agronegócio e pecuária, com
consumo exacerbado que prejudique os animais e a água, tem quem compre roupas e
produtos sem necessidade; depois de um certo tempo são doadas, porque não
servem mais e, em algum momento, essas doações são descartadas e vão parar em
lixões clandestinos. Somente informação e as mudanças de hábitos da população
podem ajudar a diminuir esse círculo vicioso”, conclui Camila.
Fotos: Camila Mendes