Todo médico, por entender sua responsabilidade com a saúde individual e coletiva e a indispensável orientação com base científica que o norteia, por mais simpático que seja a Jair Bolsonaro, não tem como acatar “as ordens” do presidente, contrárias ao isolamento social e tudo o mais que recomendam a OMS e a comunidade científica de todo o mundo.
O agora ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu exoneração do cargo na sexta-feira (15), porque vinha sendo pressionado por Bolsonaro para apoiar o uso da cloroquina em pacientes com sintomas leves da Covid-19, além de oficializar a flexibilização da quarentena. Na quinta-feira (14), em reunião com empresários organizada pelo presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, Bolsonaro disse que iria liberar o uso da cloroquina mesmo à revelia de Teich.
O agora ex-ministro vinha sendo questionado por médicos que lhe cobravam coerência em relação ao uso da cloroquina já que Teich, enquanto especialista em oncologia, sempre condenou uso de medicamentos sem comprovação científica, algo que ocorre com frequência em tratamentos de pacientes com câncer.
Teich, de alguma forma, não se distanciou das medidas tomadas por Mandetta. A explicação é simples: ambos são médicos.
O ex-ministro saiu dizendo que “não iria manchar sua carreira”.
Ante à sua dificuldade de provar a eficiência do fim do isolamento social, etc, Bolsonaro, seguindo determinado sua cruzada contra a ciência e os órgãos de saúde do país e do exterior, entendendo que nomear um médico atrapalha seus planos, substitui, interinamente, Teich pelo Secretário Executivo da pasta, o 02, que é um general: Eduardo Pazuello.
O presidente Jair Bolsonaro afirmou a um grupo de garis na manhã desta quarta-feira (20) que o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, ficará “por muito tempo” na condução da pasta. Para ser ministro da Saúde de Bolsonaro, só mesmo um militar!
Quem é Eduardo Pazuello?
Secretário Executivo da Saúde, agora Ministro Interino da Saúde, elogiado por Teich, ainda enquanto ministro, Eduardo Pazuello é General de Divisão do Exército, nascido no Rio de Janeiro e formado na Academia Militar das Agulhas Negras, em 1984. No exército, Pazuello comandou o 20° Batalhão Logístico Paraquedista e foi Diretor do Depósito Central de Munição, ambos no Rio de Janeiro. Em 2014, foi promovido a General-de-Brigada e, em 2018, a General de Divisão. Atualmente, exercia o comando da 12ª Região Militar, em Manaus.
Como Oficial General, foi Coordenador Logístico das Tropas do Exército Brasileiro empregadas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Em 2018, coordenou a Operação Acolhida, força-tarefa que atou em Roraima, recebendo imigrantes venezuelanos que fugiram para o Brasil na tentativa de escapar da crise humanitária e política em seu país.
Além do novo ministro interino, outros membros do governo são oriundos das Forças Armadas: Hamilton Mourão (vice-presidente), Braga Netto (ministro da Casa Civil), Fernando Azevedo e Silva (ministro da Defesa), Bento Albuquerque (ministro de Minas e Energia), Marcos Pontes (ministro de Ciência e Tecnologia), Jorge Oliveira (Secretário-Geral), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).
Foto: Alan Santos (PR)