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Após denúncia de racismo, colégio em SP expulsa alunos | Jornal Em Destaque por Helio de Carvalho em Da Redação

Após denúncia de racismo, colégio em SP expulsa alunos

Estudantes trocaram mensagens racistas e de cunho nazista em grupo, e caso foi denunciado à agência do governo alemão responsável por escolas alemãs no exterior. Porto Seguro diz que oito alunos foram desligados



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Postado há 4 ano(s) | Região Sul | Da Redação |

Helio de Carvalho

O Colégio Porto Seguro em Valinhos, no interior de São Paulo, disse que expulsou alunos envolvidos em trocas de mensagens de cunho racista, nazista, homofóbico e misógino em rede social, depois que um advogado e ex-aluno da instituição enviou uma carta denunciando o caso à agência do governo da Alemanha responsável por escolas alemãs em outros países.

Em comunicado enviado à DW Brasil, a escola disse que repudia "toda e qualquer forma de discriminação e preconceito, os quais afetam diretamente nossos valores fundamentais".

Nesse sentido, o colégio aplicou aos alunos envolvidos as sanções disciplinares cabíveis nos termos do Regimento Escolar, inclusive a penalidade máxima prevista, que implica seu desligamento imediato desta instituição", diz a nota.

O caso ocorreu no domingo, após o resultado das eleições, quando um aluno negro de 15 anos foi adicionado a um grupo no WhatsApp chamado "Fundação Anti Petismo". No grupo com mais de 30 participantes, os estudantes trocam mensagens racistas, homofóbicas e de conteúdo nazista, além de compartilhar imagens e frases de Adolf Hitler e Benito Mussolini.

No grupo, os alunos defenderam a morte de nordestinos e a "reescravização do Nordeste" e organizaram uma manifestação golpista contra o resultado das eleições, programada para ocorrer no colégio no dia seguinte.

Ao ver uma publicação com a imagem de Hitler e os dizeres "Se ele fez com judeus, eu faço com petistas", o estudante negro alertou que aquilo era crime e foi bloqueado. Ele sofreu posteriormente ataques racistas no Instagram.

Na carta enviada na quinta-feira (03) à agência alemã, o advogado brasileiro Frederico Reichel pediu que medidas fossem tomadas rapidamente e ressaltou que uma escola de alunos de classe alta não poderia privilegiar ainda mais seus estudantes só para preservar a sua reputação institucional.

Por isso, peço encarecidamente que a agência exija do colégio uma estratégia clara para lidar e prevenir tais incidentes", finaliza a carta. Reichel foi aluno do Colégio Visconde de Porto Seguro de 1990 a 1998.


A resposta do colégio

Após a denúncia, o Porto Seguro disse ter feito uma apuração interna do caso e expressou sua "consternação e indignação com o conteúdo de caráter racista, antissemita e misógino" das mensagens trocadas pelos alunos na rede social.

Além de desligar os estudantes envolvidos no caso, a instituição se comprometeu a reforçar suas práticas de "conscientização e respeito à diversidade".

Considerando o atual contexto de intolerância e violência verificado em nossa sociedade, o qual se reflete nas famílias e grupos de amigos, em vista dos fatos recentes, o colégio reforçará suas práticas antirracistas, de conscientização e respeito à diversidade, em todos os campus, abordando o assunto de forma ainda mais contundente em suas pautas cotidianas, com iniciativas envolvendo a comunidade escolar, inclusive com apoio de consultoria especializada, para procurar evitar a reincidência de uma situação gravíssima e inadmissível como essa", diz a nota.

O colégio expressou ainda "solidariedade e apreço a todos que foram ofendidos" e disse que continuará prestando o devido acolhimento aos alunos e famílias.

"Primeira batalha foi vencida"

A advogada Thais Cremasco, mãe do aluno de 15 anos vítima de racismo, publicou um vídeo nas redes sociais ao lado dos filhos em que agradeceu o apoio que recebeu. Ela disse ainda que a "primeira batalha foi vencida", mas que a luta continua.

Em entrevista, ela atribuiu o desligamento dos alunos à pressão exercida sobre o colégio, que já teria sido omisso em outros casos de racismo dentro da instituição.

Acredito que o desligamento aconteceu justamente pelo apoio que eu tive de outras mães do Brasil inteiro, de outras unidades [do Porto Seguro]. É uma pena que precise acontecer tudo isso para que uma atitude tão simples, que é punir um crime de racismo, seja concretizada. Mas como tem um histórico de eles já terem sofrido racismo outras vezes na escola e nenhuma medida ter sido tomada, eu acredito que, desta vez, aconteceu isso por conta das pressões", afirma Cremasco.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

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